Você conhece Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí, nega? não? então vá!

Sigo compartilhando conhecimento aqui na esperança de que isso estimule você a ler mais autores/autoras negros/negras.

Durante a leitura do texto VISUALIZANDO O CORPO:
TEORIAS OCIDENTAIS E SUJEITOS AFRICANOS, da autora e professora nigeriana Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí, consigo entender melhor sobre a necessidade de se pensar e criar novas epistemologias para quebrar a hegemonia eurocêntrica, ou pior, “OCIDENTOCÊNTRICA” (a autora joga essa expressão no texto para incluir, além da Europa, os Estados Unidos) que se mantém presente e forte nos estudos sobre a África.

Nesse texto percebo uma nítida critica sobre o uso de conceitos desse outro mundo, que não se aplica às sociedades autoctones africanas. Não se pode, por exemplo, afirmar que os Iorubás se estruturavam pelo patriarcado, uma vez que não é justo medir práticas sociais de mundos distintos. Pode até se aproveitar dos métodos de investigação ocidentais, mas não se pode impor as mesmas bases de pensamento, como se fossem universais diante das africanas.

Oyèrónkẹ́ explica como a ideia de que a África se encontra atrasada é uma verdadeira distorção. Essa ideia entra nas nossas mentes desde cedo, através de diversos meios, como na mídia, como no ensino…enfim.
Bom, partido da hipótese de que ela está atrasada, qual seria o parâmetro? Quem está no tempo certo? 
A Europa? Não!

Definitivamente atraso e pontualidade aqui se referem a uma hierarquia a respeito de quem é superior e de quem é inferior no contexto mundial. Se desconsidera todos os séculos de exploração sobre seres humanos e recursos naturais e minerais africanos executada pela sede de poder dos europeus e norte-americanos. Esses colonizadores ocidentais hoje são considerados donos de grandes potências tecnológicas, mas isso se deu sobre muito sangue africano. É desonesto. Alimenta a mesma hierarquia e visão de que esse mesmo Ocidente é o padrão, é o universal, é o correto e é o superior.
Não!

É mais do que necessário provocar uma quebra nessa perspectiva. A África NÃO é um continente atrasado, inferior ou primitivo. Suas filosofias, suas culturas (O continente não é homogêneo), seus legados e seus conhecimentos merecem respeito e uma adequada leitura, para presentes e futuros estudos não reproduzirem essa distorção.

Estamos diante de um grande desafio: Descolonizar!

(Vocês vão entender melhor lendo o texto. Aqui trago a ideia mastigada pelo meu raciocínio).

Publicado por escrevendobarbaridades

Arquiteta urbanista e mestranda pelo PPGAU UFBA. Me tornei negra há 5 anos.

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